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Direto ao ponto: o pré-diabetes não é um “quase problema”; é o último aviso antes de uma condição crônica e, muitas vezes, devastadora. Neste 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, a urgência em falar sobre essa condição silenciosa, que atinge milhões de brasileiros, ganhou um novo capítulo. E os dados são impressionantes.
Um estudo novíssimo, apresentado durante o Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) de 2025, em Viena, trouxe a evidência que faltava. A pesquisa demonstrou, pela primeira vez, que normalizar a glicemia em pacientes com pré-diabetes (alcançando a remissão) pode reduzir em mais de 50% o risco de morte cardiovascular ou hospitalizações por Insuficiência Cardíaca.
Além disso, a remissão foi associada a uma queda de mais de 40% no risco de mortalidade por todas as causas.
“Essas evidências comprovam que reverter o pré-diabetes para valores glicêmicos normais não está apenas associada à menor incidência de diabetes tipo 2, mas também representa uma abordagem pioneira para a prevenção primária”, comentou a Dra. Denise Franco (CRM-SP 54481), endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
O pré-diabetes é uma condição totalmente reversível. Segundo a SBD, cerca de 30 milhões de brasileiros vivem nessa zona de risco. Apesar de silenciosa, a condição já aumenta os riscos de complicações cardiovasculares, renais e até de alguns tipos de câncer.
O Paradoxo Brasileiro: Um Risco Ameaçado de Sair do Papel
Mas a sexta-feira (14) chega com um sabor agridoce para os especialistas brasileiros. Enquanto os dados globais reforçam a necessidade de agir antes da doença se instalar, o Brasil avalia andar na contramão.
Encerrou-se no último dia 11 de novembro a Consulta Pública (CP) de número 82, que revisa o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Diabete Melito tipo 2 no SUS. O texto preliminar do Ministério da Saúde recomendou a retirada do pré-diabetes como um fator de risco para o desenvolvimento da doença.
A proposta, que não fazia parte do escopo original da revisão, acendeu um alerta na comunidade médica. “A retirada do pré-diabetes como fator de risco para diabetes tipo 2 nos surpreendeu”, afirma Franco. “[Isso] está desalinhado às diretrizes nacionais e internacionais, como a europeia e americana”.
Para Roberta Brito, gerente médica da farmacêutica Merck, o papel dos médicos e da informação é “mostrar que o pré-diabetes é uma doença que ainda pode ser revertida, um convite à ação imediata”.
Diabetes Gestacional: OMS Solta Novas Diretrizes
E os alertas do Dia Mundial do Diabetes não se limitam ao pré-diabetes. Outro foco de grande preocupação é o diabetes gestacional. Segundo a Dra. Bárbara Alencar, médica da Hapvida, o diabetes gestacional “ocorre quando o corpo da gestante não consegue produzir insulina suficiente para equilibrar os níveis de glicose no sangue.” A condição afeta cerca de 14% das gestações no Brasil, segundo um levantamento da Fiocruz (a SBD aponta que até 16% das gestantes podem ter algum nível de hiperglicemia).
Coincidentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou hoje (14) suas primeiras diretrizes globais para o manejo do diabetes durante a gravidez, reforçando a necessidade de diagnóstico e acompanhamento rigoroso.
“Embora, na maioria das vezes, o quadro desapareça após o parto, exige-se controle rigoroso”, explica a Dra. Alencar. “Sem acompanhamento, há risco de parto prematuro, pré-eclâmpsia, ganho excessivo de peso do bebê e maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro”.
Esse risco futuro não é pequeno. Segundo a American Diabetes Association, mulheres que tiveram diabetes gestacional têm até 10 vezes mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.
O diagnóstico do diabetes gestacional costuma ser feito entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. A Dra. Alencar reforça que mudanças simples no estilo de vida podem fazer a diferença.
“A alimentação equilibrada, o controle do peso e a prática regular de exercícios físicos são fundamentais”, orienta a médica. “Em alguns casos, é necessário o uso de insulina para manter os níveis de glicose dentro da faixa segura, mas todas as condutas precisam ser orientadas por profissionais, obedecendo às particularidades de cada quadro”.
“Quando identificado a tempo, o diabetes gestacional pode ser controlado de forma eficaz”, completa a ginecologista Vitória Cardoso. “A prevenção é o melhor caminho”.
