Estado concentra mais da metade dos casos registrados no Norte nos últimos dez anos; ingestão de medicamentos é a principal causa
10/09/2025 11h23 – Atualizado há 20 horas
Luiza Castro/ Sul21
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O Pará é o estado com maior número de internações por envenenamento na Região Norte, somando mais de 2 mil casos em dez anos, segundo o Ministério da Saúde. Só nos últimos três anos, foram quase 200 internações – um sinal de alerta para a saúde pública. A maioria dos episódios envolve ingestão acidental de medicamentos e outras substâncias químicas, com destaque para os municípios de Alenquer, Uruará e Marabá.
O levantamento nacional revela que medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios lideram as intoxicações, seguidos por pesticidas, produtos domésticos e álcool. Crianças pequenas e adultos jovens são os grupos mais vulneráveis. Para autoridades de saúde, campanhas de informação e acesso rápido a centros toxicológicos são essenciais para reduzir os riscos.
O Pará lidera os registros de internações por envenenamento na Região Norte do país, segundo dados do Ministério da Saúde. Em dez anos, foram contabilizados 2.047 casos no estado, quase o dobro do segundo colocado, Rondônia. No período recente, de 2023 a meados de 2025, o Pará já soma quase 200 internações, revelando um cenário de alerta para a saúde pública.
O levantamento do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) aponta que, somente em 2023, o Pará registrou 84 internações; em 2024, foram 61; e, até junho de 2025, 49 casos. As ocorrências se concentram principalmente em ingestão acidental de medicamentos e substâncias químicas não especificadas. Municípios como Alenquer, Uruará e Marabá estão entre os mais afetados.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) também destaca os casos fatais. Em 2023, foram registradas 12 mortes por envenenamento, a maioria relacionada a intoxicações intencionais provocadas por gases e vapores.
Para o médico intensivista Luiz Felipe Santiago Bittencourt, é fundamental agir rapidamente diante de suspeita de intoxicação. Segundo ele, o primeiro passo é chamar ajuda especializada pelos números 192 (Samu), 193 (Bombeiros) ou pelo Centro de Informações Toxicológicas, e nunca provocar vômito nem oferecer líquidos como água ou leite. “Essas ações populares não neutralizam a substância e podem agravar o quadro”, explicou.
O especialista lembra que medicamentos comuns como analgésicos, anti-inflamatórios, antidepressivos e sedativos são causas frequentes de intoxicação. Produtos de limpeza doméstica e pesticidas também aparecem como fatores relevantes, sobretudo entre crianças e trabalhadores rurais. Além disso, drogas recreativas e álcool continuam sendo causas importantes em casos graves.
Os dados nacionais mostram que, em dez anos, o Brasil teve mais de 45 mil atendimentos em emergências por envenenamento que exigiram internação, uma média de um caso a cada duas horas. A Região Sudeste concentra quase metade dos registros, mas o Norte chama atenção pelo crescimento proporcional.
FONTE: O Liberal
