Foto: Miguel Schincariol / AFP
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que os três filhos homens do ex-presidente Jair Bolsonaro façam visitas controladas ao pai na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele está preso preventivamente desde sábado (22). As decisões, assinadas neste domingo (23), fixam dias, horários e tempo máximo de permanência para cada encontro.
Pelos despachos, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio, e o senador Flávio Bolsonaro poderão ver o pai na próxima terça-feira (25), entre 9h e 11h, com limite de 30 minutos cada, em horários distintos, sem que se cruzem dentro do prédio da PF. Já Jair Renan Bolsonaro terá direito a uma visita na quinta-feira (27), no mesmo intervalo de horário e com a mesma duração máxima. As autorizações valem apenas para esses três filhos e não dispensam o cumprimento das demais medidas impostas pelo STF.
Antes mesmo da liberação aos filhos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve neste domingo na sede da PF para o primeiro encontro com o marido desde a decretação da prisão preventiva, na manhã de sábado (22). A ida de Michelle ocorre em meio à mobilização de apoiadores em frente ao prédio e à tentativa da defesa de reverter a decisão de Moraes ou, ao menos, transformá-la novamente em prisão domiciliar.
Bolsonaro foi transferido de casa para a PF após a violação da tornozeleira eletrônica, que apresentava marcas de queimadura, e em meio a uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro para a noite de sábado na porta da residência da família. Para Moraes, o quadro indicou “elevado risco de fuga”, especialmente diante da aglomeração de apoiadores e do histórico de aliados que deixaram o país enquanto eram investigados.
O ex-presidente, de 70 anos, já havia passado meses em prisão domiciliar e sob monitoramento eletrônico após descumprir medidas cautelares que proibiam o uso de redes sociais e a coordenação de atos contra o STF. Em setembro, ele foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, em processo que ainda é objeto de recursos. A prisão preventiva agora cumpre a função de evitar nova obstrução das investigações e garantir a futura execução da pena.
Na PF, Bolsonaro não está em uma cela comum. Ele ocupa uma sala especial, adaptada para autoridades, com estrutura semelhante à que recebeu o então ex-presidente Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, em 2018. O espaço fica dentro da Superintendência do órgão, no Setor Policial Sul, e vinha sendo preparado desde agosto para eventual conversão da prisão domiciliar em regime fechado, justamente devido ao risco de descumprimento das medidas cautelares.
Mesmo com a entrada em cena da prisão preventiva, o controle sobre quem pode entrar ou sair da sala segue rígido. As visitas de familiares precisam ser expressamente autorizadas pelo relator do caso no STF, como ocorreu agora com os três filhos. Aliados políticos seguem impedidos de ver o ex-presidente, a não ser que haja novo despacho autorizando a presença de nomes específicos dentro da PF.
Como serão as visitas de filhos a Bolsonaro na PF
Local: Superintendência da Polícia Federal, em Brasília;
Situação: Bolsonaro em prisão preventiva em sala especial para autoridades;
Terça-feira (25):
Janela de horário: 9h às 11h;
Autorizados: Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro;
Condição: até 30 minutos cada, em horários separados, sem que se encontrem dentro da PF;
Quinta-feira (27):
Janela de horário: 9h às 11h;
Autorizado: Jair Renan Bolsonaro;
Condição: até 30 minutos de permanência;
Regra geral: os filhos não podem permanecer juntos no interior da PF durante o procedimento, e o ex-presidente segue proibido de usar celular ou redes sociais.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que Moraes tenta equilibrar rigor e controle com algum grau de flexibilização humanitária, permitindo a presença de familiares próximos enquanto mantém intacto o núcleo das restrições impostas a Bolsonaro. A estratégia também busca reduzir a pressão política e internacional em torno das condições de prisão do ex-presidente, sem afrouxar o entendimento de que ele representa risco concreto de fuga e de interferência no processo.
O caso segue em andamento no STF, que deverá analisar em breve, em sessão colegiada, a legalidade da prisão preventiva decretada por Moraes e os pedidos da defesa para que Bolsonaro volte ao regime domiciliar. Até lá, o ex-presidente permanece sob custódia na PF, com circulação controlada, agenda monitorada e agora um calendário de visitas familiares contado no relógio — meia hora por vez, em dias marcados.
