Pichações e danos em rampa de acessibilidade na recém-reformada Feira do Açaí, em Belém, levam Polícia Científica a realizar perícia no local para identificar os responsáveis e avaliar os prejuízos ao patrimônio público.
06/07/2025 14h51 – Atualizado há 3 semanas
3 Min
Foto: Monique Leão/Ascom PCEPA
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A recém-reinaugurada Feira do Açaí, localizada no histórico Complexo do Ver-o-Peso, em Belém, foi alvo de vandalismo poucos dias após sua reabertura. Denúncias de pichações e danos a uma rampa de acessibilidade levaram a Polícia Científica do Pará (PCEPA) a realizar uma Perícia de Danos ao Patrimônio no local no último sábado (5). A ação foi uma solicitação da Polícia Civil, que abriu uma investigação criminal para apurar os fatos e identificar os responsáveis.
O cheiro de açaí fresco, que deveria ser o único aroma a pairar no ar da recém-reformada Feira do Açaí, agora se mistura com o odor da tinta spray e da indignação. Poucos dias após uma reinauguração celebrada, que prometia novos tempos para o tradicional ponto turístico e de trabalho no Complexo do Ver-o-Peso, o espaço já exibe as cicatrizes do descaso: pichações e uma rampa de acessibilidade danificada.
No último sábado (5), a Polícia Científica do Pará (PCEPA) esteve no local para realizar uma Perícia de Danos ao Patrimônio, um procedimento técnico que visa documentar e avaliar os estragos feitos por terceiros. A solicitação partiu da Polícia Civil, que já instaurou um inquérito para investigar o crime e levar os responsáveis à justiça.
“A perícia de danos ao patrimônio é um exame técnico realizado para avaliar e documentar as consequências de um dano realizado por terceiros, a bens, sejam eles materiais ou financeiros, de uma pessoa ou instituição. Assim é possivel determinar a extensão do dano, identificar a causa e estabelecer o prejuízo, sendo importante tanto em investigações criminais quanto em disputas judiciais”, explica Celso Mascarenhas, diretor-geral da PCEPA. A comunidade, que aguardou por mais de um ano pela reforma, agora lamenta a rápida degradação de um espaço que é o coração pulsante da cultura paraense.
O sentimento de frustração é palpável entre os feirantes, que viram o sonho de um local de trabalho digno e aprazível ser manchado pela ação de vândalos. “Foram anos esperando melhorias e, quando finalmente temos um espaço digno, ele é destruído por quem não respeita a cidade”, desabafou um dos permissionários, que preferiu não se identificar. A reforma da feira e da histórica Rua da Ladeira, a primeira de Belém, havia trazido novos boxes, iluminação moderna, e melhorias na acessibilidade, um investimento que buscava devolver a dignidade a trabalhadores e frequentadores.
O perito criminal Alberto Seabra, presente na Feira, detalhou os próximos passos da investigação. “Nós fomos acionados pela autoridade policial para realizarmos um local de crime referente a pichação e depredação. Esse procedimento vai ajudar na elucidação dos fatos através de um laudo que será emitido em um prazo legal de 10 dias úteis, podendo ser estendido por mais 10 dias úteis dependendo da gravidade”, ressaltou. O laudo, segundo ele, será uma peça fundamental para a Polícia Civil identificar os autores e garantir que a justiça seja feita.
As pichações, que segundo relatos foram assinadas como “PTCK” e “Sauros”, não apenas sujam as paredes, mas também ferem a alma de uma cidade que luta para preservar sua história e seu patrimônio. A depredação de um espaço recém-entregue à população levanta um debate urgente sobre conscientização e cidadania, e sobre o papel de cada um na preservação do que é de todos. Enquanto o laudo não fica pronto, a pergunta que ecoa pela Feira do Açaí é uma só: até quando o novo terá sabor de velho?
Com informações da Agência Pará.
