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Saúde

Esmaltes em Gel: União Europeia proíbe uso de químico base usado no Brasil

admin
Ultima atualização: 16 de setembro de 2025 13:08
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Esmaltes em Gel: União Europeia proíbe uso de químico base usado no Brasil

Foto: Canva Pro/Getty Images

Uma decisão regulatória na Europa acendeu um alerta vermelho para milhões de brasileiros que são adeptos da esmaltação em gel. A partir de setembro de 2025, a União Europeia vai proibir o uso do Óxido de Trimetilbenzoil Difenilfosfina (TPO), um componente químico crucial para o endurecimento do produto, em todos os cosméticos. O motivo? A substância foi classificada como potencialmente tóxica para a reprodução. O problema é que, enquanto os europeus se preparam para um mercado mais seguro, o TPO continua presente na maioria das fórmulas vendidas e aplicadas diariamente aqui no Brasil.

A proibição europeia, baseada no “princípio da precaução”, expõe um nítido duplo padrão na segurança do consumidor em escala global. A medida força a indústria a buscar alternativas mais seguras para continuar operando no velho continente, mas deixa o consumidor brasileiro em uma posição de vulnerabilidade, utilizando um produto cujo risco já foi oficialmente reconhecido por uma das agências regulatórias mais rigorosas do mundo.

Mas a preocupação com os procedimentos em gel não se resume a um único ingrediente. A própria tecnologia por trás do brilho duradouro e da secagem instantânea esconde perigos que vão muito além da química do esmalte.

A Luz que Ameaça a Pele

O processo de cura do gel, realizado nas conhecidas cabines de luz UV ou LED, é o pilar da técnica. O que muitos não sabem é que essas lâmpadas emitem predominantemente radiação ultravioleta A (UVA), o mesmo tipo de radiação associada ao envelhecimento precoce da pele e, mais gravemente, a danos no DNA celular que podem levar ao câncer de pele.

Uma pesquisa de grande impacto, publicada na prestigiada revista científica Nature Communications, demonstrou em laboratório que a radiação emitida por esses aparelhos pode causar a morte de células da pele e induzir mutações genéticas consistentes com as encontradas em pacientes com câncer de pele. O estudo concluiu que o risco é cumulativo, ou seja, aumenta a cada nova sessão de manicure.

Além do risco de câncer, os próprios produtos em gel, ricos em acrilatos, são potentes alérgenos. A exposição repetida pode desencadear dermatites de contato, uma reação alérgica que causa vermelhidão, coceira intensa, inchaço e até bolhas na pele dos dedos e das mãos. Por vezes, a reação pode aparecer em outras partes do corpo, como rosto e pescoço, dificultando o diagnóstico.

Mitos e Práticas Perigosas no Salão

Para além dos riscos inerentes aos produtos de longa duração, muitas práticas normalizadas nos salões de beleza, tidas como inofensivas ou até benéficas, são na verdade prejudiciais à saúde das unhas. Uma das mais danosas é o lixamento da superfície da unha, um passo comum para aumentar a aderência do gel. Este procedimento remove camadas protetoras de queratina, deixando as unhas progressivamente mais finas, frágeis e suscetíveis a quebras e descamação, uma prática explicitamente desaconselhada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Outro mito profundamente enraizado na cultura brasileira é a necessidade de remover completamente a cutícula. Médicos e dermatologistas são unânimes: a cutícula é uma barreira de proteção essencial que sela a matriz ungueal, impedindo a entrada de fungos e bactérias. Sua remoção agressiva não só abre as portas para infecções, como pode causar inflamações crônicas e deformidades permanentes nas unhas. A recomendação médica é clara: as cutículas devem ser apenas hidratadas e, se necessário, gentilmente empurradas.

A lista de equívocos populares continua. A ideia de que esmaltes escuros fortalecem as unhas não passa de uma percepção psicológica, pois a formulação química dos esmaltes é a mesma, mudando apenas os pigmentos. Da mesma forma, o conceito de que as unhas precisam “respirar” é falso. Elas são um tecido morto que recebe nutrientes pela corrente sanguínea, não pelo ar. A pausa no uso de esmaltes, no entanto, é sim recomendada, mas por outro motivo: combater o ressecamento causado pelos químicos e permitir um período de hidratação e recuperação da placa ungueal.

O Caminho para uma Esmaltação Segura

Diante de tantos riscos, uma rotina de cuidados segura e consciente é fundamental. O primeiro passo para uma esmaltação mais saudável é a escolha de produtos menos agressivos no dia a dia. Especialistas recomendam abandonar a acetona, um solvente eficaz, porém agressivo, que remove os óleos naturais e causa ressecamento e fraqueza. No mercado, já existem diversas opções de removedores sem acetona, que cumprem a função de forma mais suave, preservando a hidratação das unhas e cutículas.

Adotar uma rotina de hidratação intensiva também é crucial. O uso diário de cremes ou óleos específicos para unhas e cutículas ajuda a manter a flexibilidade e prevenir quebras. Além disso, a saúde das unhas é um reflexo da saúde geral do corpo. Uma alimentação equilibrada e a proteção contra agressores externos, como usar luvas para tarefas domésticas, são a base para unhas naturalmente fortes e bonitas, diminuindo a dependência de procedimentos estéticos potencialmente danosos.

O Paradoxo Brasileiro: Beleza em Alta, Saúde em Baixa

O mercado de cuidados com as unhas no Brasil é um gigante em expansão. O setor foi avaliado em R$ 4,5 bilhões e as buscas no Google pelo termo “esmaltação em gel” aumentaram 33 vezes desde 2020. Os números revelam uma cultura que investe maciçamente na estética.

Contudo, este boom estético contrasta de forma alarmante com a negligência em relação à saúde dermatológica. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com o Instituto Datafolha revelou um dado chocante: 54% dos brasileiros, o que equivale a cerca de 90 milhões de pessoas, nunca foram a uma consulta com um dermatologista.

Cria-se, assim, um paradoxo perigoso: uma alta exposição a procedimentos com riscos químicos e de radiação, combinada com uma baixíssima vigilância médica. A frequência com que se visita o salão de beleza supera, e muito, a ida ao consultório médico, um cenário que pode mascarar problemas sérios até que seja tarde demais.

Serviço: Como Minimizar os Riscos

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) enfatiza que a beleza não deve se sobrepor à saúde. Para quem não abre mão dos procedimentos em gel, a entidade e outros especialistas recomendam uma série de cuidados para mitigar os danos:

  • Consulte um Dermatologista: Antes de iniciar o uso de unhas de gel ou acrigel, é fundamental uma avaliação médica. O procedimento é contraindicado para gestantes, diabéticos, pacientes oncológicos, menores de 16 anos e pessoas com histórico de alergias ou doenças de pele.

  • Use Proteção Solar: Aplique um protetor solar de amplo espectro (que protege contra UVA e UVB) nas mãos e dedos cerca de 20 minutos antes de expor as mãos à cabine de luz.

  • Use Luvas de Proteção UV: Uma alternativa ainda mais segura são as luvas especiais que deixam apenas as pontas das unhas expostas, bloqueando a radiação no resto da mão.

  • Atenção à Manutenção e Remoção: A manutenção deve ser feita rigorosamente a cada 15 ou 21 dias para evitar infiltrações, que podem causar infecções por fungos e bactérias. A remoção deve ser feita exclusivamente por um profissional qualificado para não danificar as unhas naturais.

  • Faça Pausas: É recomendado fazer pausas terapêuticas entre um alongamento e outro, permitindo que as unhas se recuperem do estresse químico e mecânico.

A escolha informada é a ferramenta mais poderosa do consumidor. Questionar os profissionais, exigir produtos registrados na Anvisa e, acima de tudo, priorizar a saúde são passos essenciais para garantir que o ritual de beleza continue sendo uma fonte de prazer, e não um risco silencioso.

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