Ministério da Saúde cria sala de situação em Brasília e envia doses extras de etanol farmacêutico para hospitais
Portal Belém – Eveline Mendes
03/10/2025 12h08 – Atualizado há 22 horas
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O Brasil vive um alerta nacional diante do avanço dos casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas. O Ministério da Saúde confirmou 59 notificações até quinta-feira (2), com registros em São Paulo, Pernambuco, Distrito Federal e um caso suspeito na Bahia. Ao menos oito mortes estão em investigação.
Especialistas alertam que o metanol é um solvente industrial impróprio para consumo humano, capaz de causar cegueira irreversível, coma e morte. O etanol farmacêutico é o principal antídoto, mas precisa ser administrado rapidamente.
Casos recentes mostram a gravidade: em São Paulo, jovens e adultos tiveram perda de visão, internações graves e óbitos após consumir gin, vodca e whisky falsificados. Na Bahia, um homem de 56 anos morreu após apresentar sintomas compatíveis com a intoxicação.
O Brasil registra 59 notificações de intoxicação por metanol até esta quinta-feira (2), informou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Os casos estão concentrados em São Paulo (53), Pernambuco (5) e Distrito Federal (1). Pelo menos 11 exames laboratoriais já confirmaram a presença da substância.
Para responder à crise, o governo instalou uma sala de situação em Brasília e ampliou a distribuição de etanol farmacêutico, principal antídoto contra o metanol. Segundo Padilha, mais de 4.300 ampolas foram adquiridas para hospitais universitários e poderão ser enviadas rapidamente a qualquer estado.
O etanol farmacêutico age bloqueando a metabolização do metanol, que pode provocar cegueira, falência de órgãos e morte. Especialistas reforçam que a utilização precoce do antídoto aumenta as chances de sobrevivência sem sequelas.
Além da medida emergencial, a Anvisa identificou 604 farmácias produtoras do antídoto no Brasil e vai habilitar unidades de referência em todas as capitais para acelerar a distribuição.
Casos recentes mostram a gravidade da crise: em São Paulo, um jovem de 28 anos entrou em coma após beber gin adulterado; uma mulher de 43 anos perdeu a visão após ingerir caipirinhas feitas com vodca; e um empresário de 45 anos morreu após consumir whisky falsificado.
Na Bahia, autoridades confirmaram nesta sexta-feira (3) o primeiro caso suspeito, em Feira de Santana, onde um homem de 56 anos morreu após sinais compatíveis com intoxicação.
As investigações apontam que a contaminação ocorre principalmente em destilados como gim, vodca, whisky e cachaça, muitas vezes vendidos em embalagens falsificadas ou a preços muito abaixo do mercado. Cerveja e vinho apresentam risco baixo, mas não estão totalmente livres de adulteração.
Autoridades recomendam que o consumidor desconfie de preços muito baixos, verifique rótulos, lacres e compre apenas em locais de confiança. Em caso de suspeita, denúncias podem ser feitas ao Procon (151), Polícia Civil (181) ou ao Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001).
