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O câncer de mama continua sendo o tipo de tumor com maior incidência entre as mulheres no Brasil, excluindo os casos de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2023-2025 é de 73.610 novos casos a cada ano. Apesar da alta incidência, o cenário para quem enfrenta a doença é cada vez mais otimista, desde que um fator crucial seja observado: o diagnóstico precoce.
Quando a neoplasia é descoberta em seus estágios iniciais, as chances de um desfecho favorável são altíssimas, podendo alcançar 95% de prognóstico positivo.
“Essa alta taxa de sucesso está diretamente relacionada à descoberta do câncer em fases nas quais o tumor é de tamanho reduzido e ainda não se disseminou para outros órgãos”, afirma o oncologista da Hapvida, Fabrício Colacino.
Dados recentes do Painel de Oncologia Brasil corroboram a importância da vigilância em todas as idades, apontando que mais de 108 mil mulheres com menos de 50 anos foram diagnosticadas com a doença no país entre 2018 e 2023.
O debate da mamografia: 40 ou 50 anos?
A principal ferramenta para o rastreamento é a mamografia, um exame de imagem capaz de detectar nódulos ou microcalcificações antes mesmo que sejam palpáveis. No entanto, existe uma conhecida divergência sobre quando iniciar o rastreamento.
O oncologista Fabrício Colacino orienta que, “de modo geral, mamografia acima dos 40 anos deve ser realizada anualmente“. Essa recomendação está alinhada com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que defende o início do rastreamento anual aos 40 anos para a população feminina geral.
Contudo, a diretriz do Ministério da Saúde, baseada nas recomendações do INCA para o Sistema Único de Saúde (SUS), foca o rastreamento populacional em mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, com exames realizados a cada dois anos. A pasta argumenta que, nesta faixa, a mamografia apresenta a melhor relação entre benefícios e riscos (como os “falsos positivos”).
Especialistas são unânimes em um ponto: mulheres com histórico familiar de risco ou que notarem qualquer alteração devem procurar um médico imediatamente, independentemente da idade, para definir uma estratégia de rastreio individualizada.
Sinais de alerta além do nódulo
Embora frequentemente silencioso em suas fases iniciais, o câncer de mama pode apresentar sinais de alerta visíveis. O mais conhecido é o nódulo (caroço) na mama ou na axila, mas não é o único.
“Nódulos, secreção e alterações na cor ou no aspecto da pele e do mamilo merecem atenção”, exemplifica Colacino.
O INCA complementa a lista de sintomas que exigem avaliação médica urgente: pele da mama com aspecto avermelhado, retraído ou parecido com casca de laranja; inversão do mamilo (quando ele se volta para dentro); e saída espontânea de líquido de um dos mamilos, especialmente se for transparente ou sanguinolento.
Fatores de risco e o poder da prevenção
A causa do câncer de mama é multifatorial. Além do envelhecimento natural, fatores hormonais e genéticos têm peso relevante. “Familiares próximos com o diagnóstico têm o risco genético de hereditariedade em potencial”, pontua o médico. Mulheres que tiveram a primeira menstruação muito cedo (menarca precoce) ou menopausa tardia também têm risco ligeiramente aumentado.
Contudo, muitos fatores estão ligados diretamente ao estilo de vida. O INCA estima que cerca de 30% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis.
“Têm estudos que mostram que mulheres que consomem mais bebidas alcoólicas estão mais propensas ao risco de câncer de mama”, ressalta Colacino. Além disso, o sobrepeso e a obesidade após a menopausa, o sedentarismo e o tabagismo são fatores de risco comprovados.
A prevenção, portanto, passa por escolhas diárias. “Realizar o controle do peso com a adoção de uma alimentação mais saudável, rica em fibras e com menos gordura, atividades físicas e até mesmo práticas para se evitar o estresse, como meditação, estão relacionadas à proteção”, destaca o oncologista.
SERVIÇO: FIQUE ATENTA
Rastreamento: A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda mamografia anual para mulheres a partir dos 40 anos. O Ministério da Saúde (SUS) recomenda o exame a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos.
Sintomas Principais: Nódulo (caroço) na mama ou axila; pele da mama retraída ou com aspecto de “casca de laranja”; inversão do mamilo; secreção espontânea pelo mamilo (especialmente com sangue).
Prevenção: Manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
O apoio durante o tratamento
Receber um diagnóstico de câncer impacta não apenas a paciente, mas todo o seu círculo social. Especialistas enfatizam que o suporte da rede de apoio é uma ferramenta terapêutica fundamental durante a jornada.
“O suporte familiar contínuo e constante desde o diagnóstico até o tratamento influencia e até mesmo na remissão da doença”, finaliza Colacino.
