A importância do exame entre o 3º e o 5º dia de vida do recém-nascido foi tema de capacitação para profissionais de saúde em Belém, visando o diagnóstico precoce de sete doenças.
06/07/2025 16h08 – Atualizado há 3 semanas
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Créditos da foto: Divulgação/SESPA
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A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) promoveu uma capacitação em Belém para enfermeiros da rede básica sobre a importância da Triagem Neonatal, popularmente conhecida como teste do pezinho. O foco do evento foi reforçar a necessidade de a coleta do sangue do recém-nascido ser realizada, impreterivelmente, entre o terceiro e o quinto dia de vida. Este período é crucial para garantir a eficácia do exame, que é o primeiro passo para o diagnóstico precoce de sete doenças graves, conforme previsto pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).
Capacitação em Belém buscou conscientizar profissionais sobre a janela de coleta entre o 3º e 5º dia de vida do bebê, fundamental para o diagnóstico precoce de sete doenças
Um pequeno furo no calcanhar, poucas gotas de sangue e um gesto de cuidado que pode definir toda uma vida. A Triagem Neonatal, popularmente conhecida como teste do pezinho, é a primeira grande barreira de proteção à saúde de um recém-nascido. No Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) tem intensificado os esforços para que este exame crucial seja realizado no período ideal: entre o terceiro e o quinto dia de vida da criança.
Este foi o tema central de uma capacitação realizada no início do mês em Belém, reunindo enfermeiros de Unidades Básicas de Saúde da capital. O evento, uma parceria entre a Coordenação Estadual de Saúde da Criança (Cesac) e o Laboratório Central do Estado (Lacen-PA), buscou qualificar e atualizar os profissionais sobre a importância de seguir o prazo preconizado pela legislação.
O motivo da janela de tempo ser tão específica é simples e vital: a detecção precoce. O exame é a porta de entrada para o diagnóstico de sete doenças graves previstas na primeira fase do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). “O objetivo principal é qualificar e atualizar os profissionais sobre a nova legislação do PNTN e todos os aspectos que envolvem o processo desde a coleta até a entrega do resultado para a família”, explicou Rosilena Mesquita, coordenadora do Serviço de Triagem Neonatal do Lacen-PA.
A responsabilidade dos profissionais de saúde, segundo Mesquita, vai além da coleta. Eles são a ponte para informar e orientar os pais. “Caberá a esses profissionais de enfermagem repassar as informações aos técnicos que fazem a coleta e ser suporte desses técnicos, não só na coleta, mas na busca do resultado e a orientação dos pais sobre a importância da triagem neonatal”, ressaltou. A conscientização em cascata, acredita a coordenadora, é a chave para a maior adesão ao serviço.
Pará em dia com a triagem
Um marco importante para a saúde pública paraense foi o cumprimento total da primeira etapa do PNTN, alcançado em dezembro de 2023 com a inclusão da análise de toxoplasmose congênita. Isso significa que o teste oferecido no estado já é capaz de rastrear:
• Hipotireoidismo Congênito: Doença que afeta a produção de hormônios essenciais para o crescimento e desenvolvimento.
• Fenilcetonúria: Incapacidade do organismo de processar o aminoácido fenilalanina, podendo levar à deficiência intelectual.
• Doença Falciforme: Alteração nos glóbulos vermelhos que causa anemia e complicações graves.
• Fibrose Cística: Acúmulo de secreções densas nos pulmões e sistema digestivo.
• Hiperplasia Adrenal Congênita: Doenças genéticas que afetam a produção de hormônios e o desenvolvimento.
• Deficiência de Biotinidase: Doença rara que impede a absorção de uma vitamina essencial.
• Toxoplasmose Congênita: Infecção que pode causar lesões no sistema nervoso e na retina do feto.
Para as crianças que recebem um diagnóstico positivo, a jornada de cuidados começa imediatamente. A Sespa garante o acompanhamento multidisciplinar no Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN), localizado na Unidade de Referência Especializada Materno-Infantil e Adolescente (Uremia). Atualmente, centenas de pacientes com as mais diversas condições detectadas pelo teste recebem tratamento contínuo, um trabalho silencioso que previne sequelas e garante um futuro com mais qualidade de vida.
Com informações da Agência Pará e Sespa.
