Samara Miranda/Remo
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O Remo voltou à Série A depois de 32 anos, encerrando um dos maiores jejuns do futebol brasileiro. A classificação de 2025, conquistada no Mangueirão diante do Goiás, foi cercada de emoção. Entre os jogadores mais impactados está o volante Jaderson, que disse ainda não acreditar no feito. Segundo ele, o acesso representa uma trajetória de superação que começou em 2024, na Série C, e passou por um grave acidente que poderia ter encerrado sua carreira.
O jogador relembra que chegou ao clube em um momento delicado e viu o Remo evoluir degrau por degrau até alcançar novamente a elite. A lesão na cabeça, sofrida na final do Parazão contra o Paysandu, afastou Jaderson por dois meses e mexeu com sua confiança. O retorno, porém, foi marcado por resiliência, trabalho e uma entrega que o consolidou como peça importante na campanha.
Agora, o retorno é visto como símbolo de renascimento. A torcida, que atravessou décadas de espera, celebra um momento que parecia distante. O clube, por sua vez, encara um novo desafio: montar em tempo recorde o elenco que disputará a Série A em 2026.
Trinta e dois anos depois, o Remo voltou a sentir o cheiro do topo. No Mangueirão lotado, no último domingo, o clube paraense confirmou o acesso à Série A de 2026, encerrando um jejum que atravessou gerações. O feito chega envolto em emoção: de jogadores, de torcedores e de personagens que viveram muito mais do que resultados, viveram uma travessia.
Entre eles está Jaderson, volante e camisa 10 azulino, que ainda tenta colocar em palavras o que viveu. Nas redes sociais, ele lembrou a chegada ao clube em 2024, quando o Remo ainda disputava a Série C, e relatou a superação da lesão grave na cabeça, sofrida em 2025, que o afastou por dois meses e colocou sua carreira em risco. Segundo o jogador, o acesso é a prova de que o time acreditou mesmo quando parecia impossível.
A história do Remo ajuda a dimensionar a conquista. A última vez que o clube disputou a elite foi em 1994, em um Brasil completamente diferente. Naquele ano, Ayrton Senna morreu, a seleção conquistou o tetracampeonato e o futebol vivia outro tempo. O Leão Azul, comandado por Waldemar Carabina, enfrentava gigantes, venceu o Cruzeiro três vezes e teve entre seus jogadores figuras como Clemer, Belterra e um veterano Cuca, que esteve presente na famosa goleada por 5 a 2 no Mineirão.
O final daquela temporada, porém, foi duro: a equipe terminou na vice-lanterna. O hiato começava ali.
Três décadas depois, o retorno acontece em circunstâncias bem diferentes. O clube se reergueu após oscilações, enfrentou crises, trocou elencos, revisitou identidades e viu a torcida continuar, paciente, mas incansável. No acesso de 2025, superação é a palavra que melhor descreve o enredo.
Jaderson, um dos símbolos da campanha, disputou 40 jogos, marcou três gols e deu uma assistência, mesmo alternando entre titularidade e banco após a lesão. Segundo o atleta, o grupo viveu entre a fé e o suor: acreditou até o fim e não permitiu que o sonho esfriasse.
A classificação encerra a espera, mas abre um novo desafio. O clube terá apenas dois meses para montar o elenco que defenderá o Leão na elite, cenário que exige planejamento, reforços e uma reconstrução acelerada. A diretoria já sinalizou que deseja manter peças importantes, incluindo o atacante Pedro Rocha.
No Pará, a festa ainda ecoa. Trinta e dois anos depois, o Remo voltou. E voltou grande, com história, com cicatrizes, com alma, e com a certeza de que reescreveu, enfim, o capítulo que faltava.
