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A Marcha Global Saúde e Clima é uma mobilização inédita que vai reunir médicos, enfermeiros, estudantes, organizações e movimentos sociais no dia 11 de novembro em Belém (PA), com um objetivo claro: romper o silêncio sobre a saúde nas negociações climáticas. O ato ocorrerá durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
A marcha é organizada pelo Movimento Médicos pelo Clima, idealizado pelo Instituto Ar, e pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). Também participam os movimentos Manas da Periferia, Coletivo Pororoka e Movimento Saúde Sustentável, além de organizações como Médicos Sem Fronteiras e a Global Climate and Health Alliance.
Resposta a uma ausência histórica
Para a médica Evangelina Araújo, Embaixadora do Movimento Médicos pelo Clima e diretora executiva do Instituto Ar, a marcha é uma resposta à ausência histórica do setor da saúde nos espaços decisórios sobre o clima. Ela afirma que a crise climática é também uma crise de saúde emergencial que impactará milhões de brasileiros, e que o ato pretende chamar atenção para a necessidade de atuação imediata na proteção dos povos, especialmente os mais vulneráveis.
Jeni Miller, diretora executiva da Global Climate and Health Alliance, enfatiza que as discussões da COP são sobre pessoas. Ela diz que cada decisão tomada sobre combustíveis fósseis, financiamento, adaptação ou uso da terra tem consequências diretas para a saúde das pessoas agora e no futuro, e que cada negociador tem a oportunidade de garantir um futuro saudável para todos.
Saúde como tema secundário e a luta por justiça social
A saúde tem sido colocada em segundo plano nas negociações climáticas, segundo Danielle Cruz, coordenadora do Movimento Saúde Sustentável. Ela avalia que o meio ambiente precisa ser visto como parte da promoção da saúde e não apenas como uma fonte de doenças. A marcha também é uma forma de pressionar para que os profissionais de saúde da região amazônica e das periferias sejam ouvidos, pois são populações que já vivem as consequências da crise ambiental, enfrentando seca, cheia, falta de peixe, contaminação da água e queimadas.
Danielle ressalta que saúde, clima e justiça social são pautas interligadas. O objetivo é ter florestas de pé, mas também pessoas vivas e saudáveis, tratando o clima como um fator determinante da saúde e buscando sustentabilidade com justiça social.
Impactos diários e testemunhos das fronteiras da crise
Na Médicos Sem Fronteiras, as consequências da crise climática são testemunhadas diariamente. Renata Reis, diretora executiva da organização no Brasil, cita exemplos como a saúde física e mental afetada por chuvas, avanço do mar, secas, queimadas e pela proliferação de doenças transmitidas por mosquitos. Ela destaca que a mudança no regime de chuvas também afeta cultivos e a segurança alimentar, causando desnutrição, e que é mais do que urgente que a saúde tenha espaço nas negociações da COP.
Cenário de intensificação na Amazônia
Na Amazônia, os efeitos da crise são ainda mais intensos. Sila Mesquita, coordenadora geral do Grupo de Trabalho Amazônico, explica que populações indígenas, ribeirinhas e tradicionais veem seus modos de vida ameaçados por secas severas, cheias extremas e perda de biodiversidade. A escassez de peixes, a contaminação da água e o aumento de doenças como malária e dengue são realidades cada vez mais frequentes. O desmatamento e as queimadas também agravam problemas respiratórios.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que, entre agosto de 2024 e junho de 2025, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia cresceu 8,4% em relação ao ano anterior. No mesmo período, as áreas atingidas pelo fogo aumentaram 245,7%, um reflexo direto da temporada de incêndios ligada ao agravamento das mudanças climáticas. Sila complementa que é impossível pensar em justiça climática sem considerar a saúde dessas populações e a necessidade de políticas específicas para protegê-las.
Atos e atividades programadas
A Marcha Global Saúde e Clima acontecerá na véspera do Dia da Saúde da COP30, previsto para 12 de novembro, quando o tema deve ganhar espaço nos debates. Além da mobilização nas ruas, haverá atividades autogestionadas com oficinas artivistas, distribuição de materiais educativos e ações de engajamento.
Giuliana Ortega, diretora de Sustentabilidade da RD Saúde, apoiadora da ação, diz que saúde e clima caminham juntos. O apoio ao Médicos pelo Clima reforça a missão de promover bem-estar integral e de agir frente aos desafios da crise climática que impactam diretamente a vida das pessoas.
Serviço – Marcha Global Saúde e Clima
Data: 11 de novembro (terça-feira)
Horário: Concentração às 17h (horário de Belém)
Local: Embaixada dos Povos (Av. Duque de Caxias, 860 – Fátima, Belém – PA)
Percurso: 1,5 km até a Zona Azul da COP30 (Parque da Cid
ade)
Por Portal Belém com redação de Antonia Ribeiro.
