15/07/2025 20h00 – Atualizado há 2 semanas
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Foto: Divulgação / PF
O juramento de Hipócrates, sagrado para a medicina, ecoa como um compromisso com a vida. Mas o que acontece quando o bisturi que deveria salvar, metaforicamente, corta os cofres públicos, deixando uma sangria de milhões e um rastro de desconfiança? Essa é a pergunta que paira sobre a Operação S.O.S., deflagrada pela Polícia Federal (PF) para desarticular um audacioso esquema de fraude que envolve médicos do Pará em plantões “fantasmas” no estado do Amapá.
A investigação, que conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), aponta para um rombo que pode chegar a R$ 60 milhões nos cofres do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a PF, médicos paraenses eram contratados por uma Organização Social de Saúde (OSS) para prestar serviços em hospitais públicos no Amapá, mas, na prática, nunca teriam pisado nas unidades de saúde. Eram os chamados “médicos fantasmas”.
A fraude, segundo as apurações, era multifacetada. Em alguns casos, os profissionais recebiam integralmente pelos plantões sem jamais comparecerem. Em outros, terceirizavam ilegalmente o serviço, colocando estudantes de medicina ou técnicos de enfermagem para assumir seus postos, uma prática que, além de ilegal, colocava em risco a vida dos pacientes. A investigação revelou ainda que muitos desses médicos possuíam vínculos empregatícios simultâneos no Pará, tornando fisicamente impossível o cumprimento da carga horária nos dois estados.
A ação da Polícia Federal cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal do Amapá. As diligências ocorreram em endereços ligados aos investigados nas cidades de Belém e Benevides, no Pará, e em Macapá, capital amapaense.
O ponto de partida para a Operação S.O.S. foi uma denúncia da própria Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA-AP), que identificou as irregularidades e acionou os órgãos de controle. Agora, os investigados responderão pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
Enquanto a investigação avança, a ferida aberta no sistema de saúde do Norte do país expõe a fragilidade dos mecanismos de fiscalização e o desvio de um dinheiro que deveria ser destinado a salvar vidas. A Operação S.O.S. não é apenas uma ação policial; é um chamado de socorro contra a corrupção que adoece a saúde pública e desvia o pulso vital dos recursos que pertencem a todos os cidadãos.
Com informaões de DOL Online.
