A primeira pesquisa eleitoral Doxa em Belém após a COP30 aponta o prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel Santos (PSB), na frente da corrida pelo governo do Pará em 2026 entre os eleitores da capital. Segundo o instituto, ele tem 29,4% das intenções de voto, seguido pela vice-governadora Hana Ghassan (MDB), com 19,8%, e pelo ex-senador Mário Couto (PL), que aparece com 15,7%. A deputada estadual licenciada e secretária de Educação de Belém, Araceli Lemos (PSOL) – grafada “Aracely” no relatório – registra 2,5%.
Os chamados votos flutuantes – que somam brancos, nulos e indecisos – chegam a 32,6%, indicando que o cenário ainda está longe de consolidado. A pesquisa foi feita presencialmente em todos os bairros de Belém, entre 27 e 29 de novembro, com 600 entrevistados e margem de erro de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Mais do que medir quem está na frente, o levantamento ajuda a desenhar o tabuleiro político pós-COP30 na capital paraense, num momento em que os pré-candidatos começam a testar seus nomes e narrativas para 2026.
Quem é Dr. Daniel, o líder entre os belenenses
Médico obstetra, Daniel Barbosa Santos, o Dr. Daniel, construiu sua trajetória política em Ananindeua. Foi vereador por dois mandatos, chegando à presidência da Câmara Municipal, depois deputado estadual mais votado do Pará em 2018 e presidente da Assembleia Legislativa (Alepa) no biênio 2019–2020.
Em 2020, elegeu-se prefeito de Ananindeua com 67,7% dos votos, e foi reeleito em 2024 com 83,48%, uma das maiores votações do estado, o que o projetou como um dos principais nomes da oposição ao governador Helder Barbalho (MDB). Em 2025, assumiu a presidência estadual do PSB e passou a se posicionar como alternativa ao grupo governista.
Ao mesmo tempo, o prefeito se tornou alvo da Operação Hades, do Ministério Público do Pará, que apura suspeitas de fraudes em licitações e corrupção em contratos ligados à prefeitura e ao Hospital Santa Maria, do qual foi sócio. Ele chegou a ser afastado do cargo por decisão do Tribunal de Justiça do Pará, mas voltou à prefeitura após liminar do STJ, que considerou a medida desproporcional, sem encerrar as investigações. Em nota, a gestão municipal classificou o afastamento como perseguição política e afirmou que o patrimônio do prefeito é declarado conforme a lei. Dr Daniel também é acusado por antigos aliados de trair seu padrinho na política o ex-prefeito de Ananindeua e ex-presidente da Assembleia Legislativa Manoel Pioneiro, que em visita a correligionários durante o Círio de São Miguel do Guamá disse ser pré-candidato a deputado federal e irá enfrentar seu ex-pupilo pela primeira vez. E, a república de Ananindeua implodiu?
Esse conjunto de alta capilaridade eleitoral na Região Metropolitana, ruptura com o governo estadual e exposição em casos judiciais ajuda a explicar por que o nome de Dr. Daniel aparece com força nas pesquisas, mas também é alvo de forte polarização entre eleitores.
Hana Ghassan: gestora de finanças públicas e rosto da COP30
A vice-governadora Hana Ghassan Tuma (MDB) tem trajetória ligada à gestão fiscal e ao planejamento do Estado. Auditora de carreira da Secretaria da Fazenda (Sefa), atuou como delegada de grandes contribuintes, diretora de fiscalização e participou do projeto de modernização da administração tributária do Pará.
Antes de chegar ao Palácio do Governo, foi secretária municipal em Ananindeua e Belém, nas áreas de planejamento, finanças e saneamento. Em 2019, assumiu a Secretaria de Planejamento e Administração (Seplad) e, em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Helder Barbalho, que venceu no primeiro turno com mais de 70% dos votos válidos.
Nos últimos anos, Hana se tornou um dos rostos mais visíveis da preparação de Belém para a COP30, coordenando e divulgando investimentos de mais de R$ 1 bilhão em macrodrenagem e saneamento, incluindo a revitalização de 13 canais que beneficiam cerca de 500 mil moradores, além de obras ligadas à mobilidade urbana e à infraestrutura da conferência.
Na análise feita pelo próprio instituto Doxa, sua exposição intensa durante a COP30 não se traduziu, por ora, em salto nas intenções de voto em Belém: a vice-governadora mantém patamar semelhante ao de pesquisas anteriores. ([blogdoxa][1])
O retorno de Mário Couto ao jogo estadual
Ex-senador e figura conhecida da política paraense, Mário Couto Filho (PL) voltou ao centro do tabuleiro ao ser incluído pela primeira vez nos cenários de Doxa para governador em Belém.
Administrador de empresas, ele foi deputado estadual por quatro mandatos, presidiu a Assembleia Legislativa do Pará e se elegeu senador pelo PSDB em 2006, ficando conhecido pelos discursos duros contra o PT na tribuna. Entre as realizações citadas em sua trajetória estão a redução do recesso parlamentar na Alepa e a defesa de recursos para a abertura do Hospital Sarah Kubitschek em Belém e investimentos para a Ilha do Marajó.
Ao longo da carreira, também respondeu a investigações por improbidade e outras controvérsias, sendo absolvido em parte das ações, o que alimenta uma imagem simultaneamente de político combativo e personagem polêmico da política local.
Na leitura da Doxa, a entrada de Mário Couto “herda” parte do eleitorado de direita que antes orbitava em torno de Eder Mauro, redistribuindo forças no campo conservador e tornando a disputa mais competitiva entre os nomes oposicionistas ao atual governo.
Araceli Lemos, a candidata da esquerda crítica
Historiadora e professora, Araceli Maria Pereira Lemos (PSOL) tem trajetória vinculada à educação pública e aos movimentos sociais. Foi deputada estadual por dois mandatos, com atuação voltada a temas de direitos humanos, moradia e políticas sociais.
Atual secretária municipal de Educação de Belém e presidente estadual do PSOL, ela construiu sua imagem como dirigente sindical e militante da educação, tendo coordenado entidades de servidores e participado de frentes pela moradia. Em 2023, assumiu a pasta da Educação na capital e, em 2025, confirmou-se como pré-candidata do PSOL ao governo do Pará em 2026, com discurso crítico à gestão Helder Barbalho e proposta de alternativa mais à esquerda no campo progressista.
Apesar de aparecer com 2,5% em Belém nesta pesquisa, Araceli tende a falar a um eleitorado mais segmentado, ligado à educação, movimentos de moradia e militância de esquerda, que historicamente tem menor peso numérico, mas capacidade de influenciar debates programáticos.
Votos flutuantes e cenário ainda aberto
Um dado central do levantamento é o peso dos votos flutuantes (32,6%), que incluem quem pretende votar em branco ou nulo e quem não sabe ou não respondeu. Em um universo de 600 entrevistas, com margem de erro de 4 pontos, essa faixa é suficiente para reorganizar completamente o ranking conforme a campanha avance.
Além disso, o estudo recorta apenas eleitores de Belém, num momento em que outras pesquisas da Doxa mostram Dr. Daniel na liderança também em cenários estaduais mais amplos, com disputa mais acirrada entre nomes como Hana e Eder Mauro em outros municípios.
Para além da corrida ao governo, a mesma pesquisa indica Helder Barbalho na frente para o Senado e o presidente Lula (PT) liderando para a Presidência da República em Belém, em cenário sem Jair Bolsonaro, que aparece mencionado pelo instituto como preso e inelegível.
Com a COP30 recém-encerrada e as estruturas eleitorais ainda em montagem, o levantamento de Belém funciona menos como previsão e mais como fotografia de um humor político em transição: um prefeito de grande cidade na dianteira, uma vice-governadora associada a obras e investimentos em infraestrutura, um ex-senador experiente retomando espaço e uma candidata de esquerda tentando transformar capital político na educação em votos.
Serviço – Pesquisa Doxa em Belém
♦ Instituto: Doxa
♦ Abrangência: eleitores de Belém (PA)
♦ Período de campo: 27 a 29 de novembro de 2025
♦ Método: entrevistas presenciais em todos os bairros, com distribuição proporcional da amostra
♦ Amostra: 600 eleitores
♦ Margem de erro: ±4 pontos percentuais
♦ Principais resultados – intenção de voto para governador (Belém):
• Dr. Daniel (PSB): 29,4%
• Hana Ghassan (MDB): 19,8%
• Mário Couto (PL): 15,7%
• Araceli Lemos (PSOL): 2,5%
• Branco/nulo: 13,5%
• Não sabe/não respondeu: 19,1%
