Foto: Twitter/@10Oficialsouza
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Estudantes protestam em Brasília após suspeita de vazamento de questões do Enem 2025. O MEC anunciou a anulação de três itens da prova e a Polícia Federal investiga o caso. Manifestantes cobram justiça e transparência, enquanto o ministro Camilo Santana descarta o cancelamento do exame. A crise levanta debates sobre a segurança e a isonomia do processo seletivo.
Um grupo de estudantes protestou na tarde desta sexta-feira (21) em frente ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, motivado pela hashtag #AnulaEnem, que viralizou nas redes sociais ao longo da semana.
Os manifestantes cobram respostas sobre as fortes suspeitas de vazamento de questões idênticas às do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. A manifestação, que começou por volta das 16h, reuniu candidatos que alegam uma quebra de isonomia na prova. A pressão pública culminou em anúncio do Ministério da Educação (MEC), que confirmou a anulação de três questões do exame, realizado no último domingo (16). A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso.
As denúncias ganharam força a partir da repercussão de uma live do estudante de medicina Edcley de Souza Teixeira, veiculada cinco dias antes da prova de Ciências da Natureza. Na transmissão, ele apresentou questões com estrutura e dados extremamente semelhantes às que seriam aplicadas oficialmente. Edcley, que foi reconhecido pelo MEC em 2023 com o título de “Talento Universitário“, também oferecia em seu curso online PDFs com itens que, segundo ele, “poderiam cair no Enem”. A investigação aponta que as questões vazadas seriam oriundas de pré-testes do Inep, etapa sigilosa na qual os itens são calibrados para futuras edições do exame.
O MEC confirmou, em nota, indícios de que itens desses pré-testes foram reutilizados de forma irregular no curso online do universitário. No protesto, estudantes relataram frustração e a sensação de injustiça. Natália Souza, 22 anos, que se prepara para vestibulares há quatro anos, foi uma das presentes. “Só o estudante sabe o peso de estudar 6, 8, 12 horas por dia. O vazamento compromete todo o processo e prejudica quem se preparou com dedicação”, declarou. “Eu comecei a tomar medicamentos psiquiátricos para ansiedade.” Lucas Monteiro, 21, que tenta uma vaga em Relações Internacionais há dois anos, compartilhou a mesma indignação. “Eu tirei uma boa nota, o problema é que tem pessoas que tiraram melhores ainda por ter acesso privilegiado”, disse. Ele contou ter abandonado a carreira como atleta e a vida social para se dedicar integralmente aos estudos.
Em vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira, o ministro da Educação, Camilo Santana, buscou acalmar os ânimos. “Quero tranquilizar cada um de vocês: o Enem não será cancelado”, afirmou. Santana classificou o episódio como “um caso de polícia” e garantiu que o governo acompanha o caso para assegurar a “lisura e a transparência” do processo.
A confirmação da anulação das três questões e a abertura de investigação pela Polícia Federal são, até o momento, as principais medidas concretas adotadas pelo governo em resposta à crise. O Inep e o MEC seguem sob pressão para detalhar como o suposto vazamento ocorreu e que outras medidas serão tomadas para reparar a equidade do exame.
