Ato em Belém cobra da universidade a revisão da medida que elimina a bonificação regional de 10% nas notas do Enem a partir do Processo Seletivo 2026
24/10/2025 16h41 – Atualizado há 1h
Alexandre de Moraes
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Estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) ocuparam a reitoria da instituição em Belém nesta quinta-feira (23) em protesto contra o fim da bonificação regional de 10% nas notas do Enem, medida que passará a valer a partir do Processo Seletivo 2026.
O grupo, formado por integrantes de movimentos estudantis e coletivos universitários, bloqueou a entrada do prédio e promete manter a ocupação até que a universidade reavalie a decisão. O benefício, criado para aumentar a competitividade de candidatos paraenses, permanecerá apenas para o curso de Medicina nos campi de Belém e Altamira.
Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) argumentam que a retirada do bônus amplia desigualdades entre alunos da região Norte e candidatos de outras partes do país. Para o DCE, a medida desconsidera as dificuldades estruturais da educação básica no Pará e pode reduzir o número de estudantes locais aprovados.
Os manifestantes cobram uma nova reunião do Consepe para debater alternativas e afirmam que seguirão mobilizados até que haja uma revisão do caso.
Estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) ocuparam, nesta quinta-feira (23), a reitoria da instituição em Belém em protesto contra o fim da bonificação regional de 10% aplicada às notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O movimento cobra da gestão universitária a revisão da medida, que passa a valer a partir do Processo Seletivo 2026.
De acordo com os manifestantes, o ato é uma resposta à decisão do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), que decidiu manter o fim do benefício. O grupo trancou a entrada do prédio com correntes e faixas e afirma que só deixará o local após uma nova reunião extraordinária do conselho.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a decisão prejudica alunos paraenses que enfrentam desigualdades estruturais no acesso à educação básica. O coordenador-geral do DCE, Rômulo Beltrão, destacou que a bonificação representava “uma forma de equilibrar as chances de ingresso de quem vem das escolas públicas da Amazônia”.
Entre os participantes do ato, Ariel Pereira, estudante que pretende cursar Ciências Sociais, afirmou que o fim do bônus pode agravar as desigualdades regionais: segundo ele, “a educação no Pará ainda enfrenta carências que dificultam competir com alunos de outras regiões do país”.
Nas redes sociais, o coletivo Juntos Belém classificou a decisão como “um retrocesso que ignora a realidade educacional da Amazônia” e criticou a demora da universidade em responder aos questionamentos dos estudantes.
Em nota, a UFPA informou que a decisão cumpre orientação do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a bonificação sem base legal. Em substituição, será adotado o Fator de Atenuação das Desigualdades de Acesso, mecanismo que, segundo a instituição, busca corrigir disparidades regionais de forma mais técnica e equitativa.
Até o fim da tarde desta quinta-feira, os estudantes permaneciam no prédio da reitoria e afirmavam que não pretendem encerrar a ocupação até que haja nova deliberação do Consepe.
FONTE: G1
