Foto: MEC
Sob o céu de um novembro que se despede, Belém respirou, enfim, a normalidade acadêmica que havia ficado em suspenso. Enquanto o mundo voltava os olhos para a nossa capital durante a COP30, milhares de estudantes paraenses aguardavam, no compasso ansioso da espera, o seu momento de definir o futuro. E ele chegou neste domingo (30), quando 95.784 inscritos de Belém, Ananindeua e Marituba realizaram o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, em uma aplicação inédita e tardia, desenhada pelo calendário climático que colocou o Pará no centro do mapa.
Diferente da tensão habitual que corrói os nervos nos portões de prova, o clima na Região Metropolitana foi de uma surpreendente fluidez. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) confirmou, em balanço divulgado no início da noite, que a operação transcorreu sem ocorrências policiais graves. O efetivo de mais de 1.300 agentes de segurança, mobilizados para garantir a lisura do certame nestes três municípios, atuou de forma discreta, permitindo que o protagonismo fosse todo das canetas pretas e das mentes inquietas.
O trânsito, esse velho conhecido dos nossos domingos de prova, comportou-se com uma gentileza atípica. Na Almirante Barroso e na BR-316, artérias vitais que costumam pulsar no ritmo do caos, o fluxo seguiu desimpedido na maior parte do tempo, com apenas retenções pontuais próximas aos grandes centros de aplicação, como a Unama e a UFPA. Parecia que a própria cidade, ainda de ressaca da conferência global, decidiu dar uma trégua aos seus filhos estudantes.
O Tema da Redação: Um espelho para o Pará
Hoje, os 95.784 inscritos nas cidades de Belém, Marituba e Ananindeua, no Pará, fazem a prova do Enem 2025. O tema da redação deste domingo é: “A valorização dos trabalhadores rurais no Brasil”.
— Camilo Santana (@CamiloSantanaCE) November 30, 2025
Se a logística foi aprovada, o coração da prova — a redação — foi o que realmente fez o sangue correr mais quente. Enquanto o restante do Brasil discorreu sobre o envelhecimento no início do mês, os candidatos da Grande Belém foram desafiados a escrever sobre “A valorização dos trabalhadores rurais no Brasil”.
O tema não poderia ser mais propício para nós. Em uma região onde o urbano e o rural se entrelaçam, onde a feira do Ver-o-Peso recebe diariamente o suor de quem planta e colhe, o assunto caiu como uma luva. Nas redes sociais, a repercussão foi imediata e majoritariamente positiva. No X (antigo Twitter) e no Threads, muitos candidatos celebraram a familiaridade com o assunto, considerando-o mais acessível e próximo da realidade local do que o tema da aplicação regular nacional. “Falar do homem do campo no Pará é falar da nossa própria história”, comentou uma estudante na saída de uma escola em São Brás.
Mas nem tudo é poesia. A abstenção, fantasma que assombra o Enem no estado, ainda preocupa. Embora os números oficiais consolidados de ausência para a Grande Belém ainda estejam sendo processados pelo Inep nesta segunda-feira (1º), a percepção nas salas de aula foi de cadeiras vazias, reflexo talvez do cansaço de um ano letivo esticado ou da confusão natural gerada pela mudança de datas.
O que vem por aí
Agora, a maratona faz uma pausa para o fôlego. No próximo domingo, 7 de dezembro, os candidatos retornam para o segundo tempo dessa partida decisiva. Será a vez das Ciências da Natureza e suas Tecnologias, além da temida Matemática. A recomendação é manter a disciplina: os portões abrirão novamente ao meio-dia, e o atraso não perdoa nem quem tem a melhor das justificativas.
Para Belém, que provou ser capaz de sediar o mundo na COP30, realizar este Enem “fora de época” foi apenas mais um teste de fogo. E, ao que tudo indica, a cidade e seus estudantes passaram com louvor nesta primeira fase. Resta agora segurar a ansiedade e preparar o espírito para as equações que virão.
Serviço: 2º Dia do Enem 2025 (Aplicação Especial)
♦ Data: Domingo, 07 de dezembro de 2025.
♦ Provas: Ciências da Natureza e Matemática.
♦ Abertura dos portões: 12h.
♦ Fechamento dos portões: 13h.
♦ O que levar: Documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta em material transparente.
