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Sabe aquele frio na espinha que dá quando você coloca a mão no bolso e não sente o celular? Pois é. Agora imagine sentir o aparelho ali, mas descobrir que ele não obedece mais aos seus comandos ou, pior, que tem outra pessoa usando sua identidade para pedir dinheiro aos seus contatos. Parece enredo de episódio ruim de Black Mirror, mas é a realidade de muitos paraenses. Dados recentes divulgados nesta semana apontam que a clonagem de celular cresceu 11% no Pará, acendendo um alerta vermelho para a nossa segurança digital.
A gente vive com o celular na mão, seja para trabalhar, pagar contas ou curtir um tecnobrega marcante no fone de ouvido. O problema é que essa extensão do nosso corpo virou o alvo preferido de criminosos. E não se engane: ao contrário das novelas de ficção científica que eu tanto amo, onde clones são cópias biológicas complexas, no mundo do crime digital a clonagem é rápida, suja e, muitas vezes, começa com um simples clique errado.
Segundo as informações reportadas pelo jornal O Liberal, esse aumento de 11% reflete uma sofisticação nas táticas. Não é apenas aquele velho golpe do “código de verificação”. Estamos falando de SIM Swap (quando o bandido transfere seu número para outro chip), aplicativos espiões e phishing avançado. É como diz aquela letra da Banda Calypso: “não é a lua que te trai”, é a desatenção. Muitas vezes, o golpe chega disfarçado de promoção imperdível ou de um contato urgente de um suposto banco.
Como saber se fui clonado?
A desconfiança é sua melhor amiga. Se o seu aparelho começar a apresentar comportamentos estranhos, como bateria drenando rápido demais sem motivo, superaquecimento ou se você notar chamadas e mensagens no seu histórico que você não fez, cuidado. Outro sinal clássico é a perda repentina de sinal de rede em locais onde você normalmente teria cobertura — isso pode ser indício de que seu número foi ativado em outro chip (o tal do SIM Swap).
Para quem é fã de um bom mistério, investigar as configurações do próprio aparelho é essencial. No caso do WhatsApp, verifique sempre os “Aparelhos Conectados”. Se houver algum computador ou navegador estranho logado lá, desconecte imediatamente.
Blindagem Digital: O que fazer?
Não adianta chorar pelo leite derramado — ou pelo pix transferido. A prevenção é a única saída. Para não virar estatística nesse cenário de alta de 11%, adote agora estas medidas:
🚨 Ative a Verificação em Duas Etapas (2FA): Em tudo. WhatsApp, Instagram, E-mail. É aquela senha extra que o bandido não tem.
🚨 Não clique em links suspeitos: Recebeu um SMS dizendo que sua encomenda foi taxada ou que seu banco bloqueou a conta? Respire. Não clique. Vá direto ao aplicativo oficial.
🚨 Cuidado com Wi-Fi público: Evite acessar bancos ou dados sensíveis em redes abertas de shoppings ou praças.
🚨 Senha no Chip: Pouca gente faz, mas colocar um PIN no seu SIM Card impede que ele seja usado em outro aparelho se for roubado.
O cenário exige cautela. O paraense é desconfiado por natureza, e precisamos levar essa malandragem saudável para o ambiente digital. Se acontecer com você, o primeiro passo é registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia Virtual da Polícia Civil e avisar imediatamente seus contatos e sua operadora. Como diria o poeta do brega: o amor pode ser falso, mas o prejuízo no bolso é bem real.
